••• Dra Marcella – Reumatologista – Rio de Janeiro – Barra da Tijuca

Tenho Lúpus! O que posso fazer para me ajudar?

Tenho Lúpus! O que posso fazer para me ajudar?

O lúpus é uma doença crônica inflamatória autoimune que atinge principalmente mulheres afrodescentes entre 20 e 40 anos, porém pode ocorrer em qualquer pessoa. Assim como outras doenças autoimunes, a causa é desconhecida. Sabe-se que a pessoa nasce com uma predisposição genética e, após exposição a alguns fatores ambientais, deflagra os primeiros sintomas da doença. Os deflagradores conhecidos mais comuns no lúpus são a exposição solar, o estresse emocional e físico, o tabagismo, as infecções virais e os estímulos hormonais.

O lúpus infelizmente ainda não tem cura, porém existem tratamentos eficazes que visam o controle dos sintomas, prevenir novas lesões e manter a doença em remissão. Nesse contexto, a participação do paciente no seu tratamento é fundamental e quanto maior é a aceitação do diagnóstico e a parceria com o médico, maior o sucesso atingido.

As responsabilidades do paciente vão além da frequência nas consultas, realização dos exames e uso adequado das medicações prescritas. Sabemos que não são poucas as funções do paciente no manejo de uma doença crônica e que há grande dificuldade em sincronizar tudo com a rotina de trabalho/estudo e afazeres da vida comum. Dessa forma, o primeiro passo para o sucesso é a organização. Então, a primeira dica preciosa que tenho a passar é aprender a se organizar, ou seja, planeje, programa-se e tudo fluirá com mais harmonia.

Manter hábitos de vida saudáveis deveria ser prioridade a todos e mais importante ainda tem que ser aos portadores de alguma patologia crônica. A prática de atividade física no lúpus é fundamental. Eu poderia escrever páginas e páginas sobre os seus benefícios, mas aqui seguem alguns principais: perda de peso, redução da ansiedade, aumento da sensação de bem estar, melhoria da qualidade do sono, redução da dor articular e da fadiga, redução do risco cardiovascular e auxílio em manter a doença em remissão. Após a liberação médica, deixe as desculpas em casa, coloque a roupa de ginástica, procure assistência de um profissional de educação física e comece, experimente!

Associe os exercícios à alimentação saudável e recomendada para você pelo seu médico e nutricionista. Sinta o prazer de conhecer novos sabores, novas dietas e de se sentir melhor consigo mesmo ao se alimentar bem.

Tabagismo aqui está proibido! Não existe negociação: tem que ser interrompido. O cigarro é fator perpetuador de atividade de doença, além de todos os outros males que acarreta. Busque ajuda profissional após escolher cessar essa prática, porque pode não ser simples parar sozinho.

O paciente com lúpus deve sempre se proteger do sol, com o uso de protetor solar e roupas adequadas, visto que a claridade também pode desencadear atividade de doença, mesmo nos pacientes que não tenham lesões de pele. Nos dias nublados e ao ficar dentro de ambientes fechados, é importante manter esses cuidados, pois há redução dos raios solares, mas a claridade ainda existe.

Para finalizar, a última dica é buscar equilíbrio. É necessário evitar estresses emocionais. Preocupe-se com o que for realmente necessário. Em alguns momentos, a ajuda psicológica pode ser fundamental: converse com o seu médico sobre as suas angústias e tire todas as suas dúvidas. Principalmente: busque ser feliz sempre. A felicidade envolve nos sentirmos produtivos, fazermos o bem ao próximo, estarmos cercados das pessoas que amamos e que nos dão suporte, termos um hobby e enxergarmos a parte boa nos detalhes da nossa rotina.

Esses hábitos não anulam a necessidade das medicações e do atendimento médico regular. Procure seu Reumatologista e não deixe para amanhã o que pode ser mudado hoje! Sua saúde deve vir em primeiro lugar!

2 comentários sobre “Tenho Lúpus! O que posso fazer para me ajudar?”

  1. Olá, Dra. Marcela. Perdi uma irmã com lúpus há 5 anos e fui diagnosticada com a síndrome de sjrögren. Me indicaram este o protocolo do whole autoimune, para cuidar do intestino e tentar ñ desenvolver outras doenças autoimunes, mas ñ sobra nada pra comer😟. Como fica a questão da alimentação no tratamento de doenças autoimunes?

    • Olá Deise!
      Não existem estudos científicos que comprovem a associação de alguma alimentação específica com o desenvolvimento das doenças autoimunes. Sabemos que alguns fatores ambientais estão relacionados ao surgimento dessas doenças em pacientes com predisposição genética e pode ser que em breve venhamos a descobrir a relação com a alimentação sim. Porém, até o momento, a prática dessa dieta ou outras com promessas de evitar doenças autoimunes não é estabelecida cientificamente. Obrigada pelo comentário.

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