••• Dra Marcella – Reumatologista – Rio de Janeiro – Barra da Tijuca

Paciente com Lúpus pode engravidar?

Paciente com Lúpus pode engravidar?

Durante muitos anos, pensava-se que mulheres portadoras de lúpus eritematoso sistêmico não podiam engravidar. Há mais de 20 anos, esse pensamento mudou e, atualmente, sabemos que a paciente com lúpus pode sim gestar, porém isso deve ser feito com planejamento e acompanhamento do Reumatologista assistente.

A programação da gestação é muito importante por diversos motivos. Muitas medicações utilizadas no tratamento da doença podem causar má formações fetais e aborto. Dessa forma, é necessário substituí-las quando a mulher deseja engravidar, assim como é importante que a paciente esteja em uso de alguns medicamentos que a protejam de agravar a doença durante a gestação.

O risco da gestação na paciente com lúpus é que a doença pode entrar em atividade ou agravar ao longo da gravidez. Por isso, para aumentar a segurança, é fundamental que a paciente encontre-se em remissão por algum tempo (mínimo de 6 meses a 2 anos) antes de engravidar.

Para o feto, existe o maior risco de prematuridade, baixo peso e abortamento do que em pacientes que não são portadoras da doença. Essas complicações são ainda mais prevalentes em mulheres portadoras de lúpus e síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (para saber mais acompanhe nossos posts do blog). Nesse caso, a paciente deve fazer uso de injeções de clexane durante toda a gestação para anticoagulação.

Uma situação especial que pode ocorrer durante a gestação é o desenvolvimento do lúpus neonatal. Mulheres que possuem o anticorpo anti-Ro podem transmitir pela placenta esse anticorpo ao feto, o que pode causar um dano cardiológico no feto (bloqueio cardíaco) e lesão de pele temporária ao nascer. Felizmente, essa é uma complicação muito rara e que pode ser evitada com o acompanhamento médico adequado e uso de hidroxicloroquina durante a gestação.

O acompanhamento deve ser feito em conjunto com o Reumatologista e o Obstetra que possuam experiência na doença desde o momento da descoberta da gestação, até o pós-parto e durante a lactação, uma vez que nesse momento ainda há risco de piora da doença e é necessário o manejo adequado das medicações que a mãe pode fazer uso. Além das consultas de rotina, alguns exames seriados são necessários para avaliar o bem estar materno e fetal. Apesar de ser uma gestação de risco, a maioria delas ocorrem sem intercorrências quando bem acompanhadas.

 

Dra. Marcella Andrade

CRM 52.95792-5

 

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