••• Dra Marcella – Reumatologista – Rio de Janeiro – Barra da Tijuca

A Dor Crônica da Chikungunya

A Febre Chikungunya é uma doença viral transmitida primordialmente através da picada da fêmea dos mosquitos Aedes agypti e Aedes albopictus. Desde que os primeiros casos de transmissão no Brasil foram confirmados em setembro de 2014, o nosso país tem passado por um grande problema de saúde pública.

Os sintomas típicos da fase aguda da doença são semelhantes aos da dengue: febre, dor muscular e articular, manchas vermelhas pelo corpo, prostração, dor de cabeça, náusea. Apesar de não ter alta mortalidade, a Chikungunya pode causar dor articular persistente na fase subaguda (15 dias a 3 meses após o início da doença) e crônica (acima de 3 meses), gerando incapacidade funcional, com perda da qualidade de vida e produtividade. Inclusive, esse nome diferente da doença é originário de um dialeto da Tanzânia/Moçambique (onde o vírus foi isolado em cerca de 1952), que descreve a aparência encurvada dos pacientes que contraem a doença.

Ainda não é possível determinar quais pacientes evoluirão para um quadro autolimitado e os que irão perpetuar dor até a fase subaguda/crônica. Porém, alguns fatores de risco para a cronificação da doença já são estabelecidos: sexo feminino, idade maior que 40 anos, sintomas intensos durante a fase aguda, diabetes, doença articular já conhecida previamente à infecção e alguns fatores laboratoriais.

O paciente na fase subaguda ou crônica da doença ainda pode se queixar de outras manifestações associadas à dor, como inapetência, sono não reparador, comprometimento laboral e das atividades diárias, incontinência urinária, alterações de humor e depressão. Em pacientes com artrite reumatoide, lúpus e espondiloartrite, pode haver exacerbação da doença de base (a doença pode entrar em atividade).

O tratamento e manejo da doença baseiam-se em algumas publicações científicas internacionais, como o consenso francês de 2015 e, mais recentemente (2017), no primeiro consenso brasileiro elaborado pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) sobre o assunto. Esse foi construído através da revisão de artigos existentes sobre o tema e baseado na experiência que os especialistas brasileiros adquiriram durante a epidemia.

Segundo a SBR, os casos que evoluem para dor musculoesquelética além dos primeiros 14 dias de doença (fase subaguda e crônica) devem sempre ser avaliados por um reumatologista. Procure acompanhamento com o especialista para evitar o uso inadequado de medicações e interromper a dor precocemente.

 

Este texto é meramente informativo e não substitui a consulta médica.

Dra. Marcella Andrade

CRM 52.95792-5

O sarampo e as doenças reumatológicas

Doença erradicada no Brasil desde 2016, segundo a OMS, o sarampo volta a causar surtos no nosso país. Segundo o registro do Ministério da Saúde, até o início de Julho, foram registrados casos na cidade do Rio de Janeiro (1 caso confirmado e 8 casos suspeitos), Rio Grande do Sul e, principalmente, em Roraima e Amazonas, onde foram confirmados mais de 200 casos e decretada situação de emergência em Manaus.

Doença viral altamente transmissível e grave, pode evoluir para óbito e sequelas, especialmente em crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas. A transmissão ocorre através de gotículas com partículas virais no ar, principalmente em ambientes fechados. Isso acontece dos 5 dias antes até os 5 dias após o surgimento da erupção cutânea.

Não há tratamento específico para a doença. A prevenção ocorre somente através vacinação tríplice ou quádrupla viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola + varicela na quádrupla). Essa é uma vacina de vírus VIVO atenuado, estando CONTRAINDICADA a aplicação em pessoas imunossuprimidas, como pacientes com doenças reumatológicas em uso de imunossupressores.

Em algumas situações de menor imunossupressão, a vacina pode ser liberada, porém somente o médico que acompanha o paciente pode autorizar. A vacinação de pessoas que convivem com esses pacientes é permitida e deve ser realizada, pois o vírus não é transmitido através da vacina e proteger os contactantes do indivíduo gera proteção adicional ao paciente.

O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Sáude atualmente no Brasil é o seguinte:

– No Programa Nacional de Imunizações (PNI), a vacinação infantil é feita através da tetraviral, aplicada aos 12 meses de idade e aos 15 meses associada à vacina contra varicela (quádrupla viral);

– Duas doses da tríplice viral com intervalo mínimo de 30 dias entre elas em crianças maiores, adolescentes e adultos que não foram vacinados. É fornecida gratuitamente nos postos de saúde 2 doses a pacientes até 29 anos e uma dose aos pacientes de 30-49 anos.

 

Existem ainda recomendações a serem seguidas pós-exposição, ou seja, quando há contato com alguém que esteja com sarampo, o paciente deve procurar imediatamente o seu médico ou um serviço de saúde para receber a vacinação de bloqueio em até 72 horas do início dos sintomas ou, no caso de pacientes imunossuprimidos, a gamaglobulina intramuscular. Essa possui os anticorpos prontos para prevenir o desenvolvimento da doença e pode ser administrada até os primeiros seis dias de contato com o vírus. 

Texto baseado na Nota Técnica emitida pela Sociedade Brasileira de Reumatologia em julho/2018 e no alerta epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado de Goiás. Esse texto é meramente informativo e não substitui a consulta médica.

Dra. Marcella Andrade

CRM 52.95792-5

O que é SAF?

SAF é a abreviação de Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo, doença autoimune em que o indivíduo produz anticorpos contra fosfolipídeos, substâncias presentes na membrana das células do corpo. A doença pode ocorrer de forma isolada ou associada a outras condições autoimunes, sendo a combinação mais comum o lúpus eritematoso sistêmico.

O diagnóstico da doença exige a presença de sinais clínicos (tromboses recorrentes e perdas fetais de repetição), associados à detecção dos anticorpos através de exame de sangue (anticoagulante lúpico, beta-2-glicoproteína 1 e anticardiolipina).

Trombose é o aparecimento de um coágulo que obstrui o fluxo sanguíneo, seja arterial ou venoso. As tromboses venosas ocorrem principalmente nos membros inferiores, chamadas de tromboses venosas profundas. Essas causam dor, edema e empastamento da panturrilha acometida, além de poderem complicar com a embolia pulmonar, quando o coágulo se desprende e circula até obstruir um vaso do pulmão. Nesse caso, o paciente queixa-se de dor torácica e falta de ar. Porém, as tromboses podem ocorrer em qualquer local, como em vasos arteriais cerebrais, levando ao acidente vascular cerebral, conhecido leigamente como “derrame”.

Na gestação, a SAF pode causar abortos de repetição, principalmente no primeiro e segundo trimestres da gestação, além de eclampsia e pré-eclâmpsia, condição caracterizada por edema dos membros inferiores, aumento da pressão arterial, sofrimento fetal e perda de proteína na urina, que pode ou não ser associada à crise convulsiva. O risco desses eventos ocorrerem em uma paciente com SAF não tratada é de 80%.

Dessa forma, pacientes jovens com história de tromboses não justificáveis e/ou abortos de repetição devem procurar um Reumatologista ou Hematologista para investigação dessa síndrome e outras doenças genéticas que podem causar essas condições clínicas (trombofilias hereditárias).

Pacientes com SAF podem ainda apresentar enxaqueca de difícil controle, úlceras de difícil cicatrização dos membros inferiores, lesão de pele com aspecto marmóreo (livedo) nos membros e plaquetas baixas de forma leve a moderada (em torno de 50 a 100 mil), não associadas a sangramento.

O tratamento dessa doença varia de acordo com os sinais clínicos que o paciente apresenta. É possível ser portador dos anticorpos e não ter sintomas. Nesse caso, o tratamento envolve apenas o controle de fatores de risco para trombose, como o a obesidade, colesterol elevado, diabetes, hipertensão e o tabagismo.

Quando o paciente tem histórico de trombose venosa ou arterial, o tratamento é realizado com anticoagulação com warfarina pela vida toda. Exames de sangue seriados são necessários para manter um índice chamado INR no alvo desejado.

Pacientes somente com complicações gestacionais, fora da gestação, não precisam de anticoagulação e são tratadas somente com aspirina preventiva. Ainda existe o acompanhamento específico durante a gestação, que deve ser feito com Reumatologista e Obstetra que tenha experiência com a doença.

Esse texto é informativo e não substitui a consulta médica. Informe-se sempre, porém não deixe de seguir as recomendações do seu médico assistente.

 

Dra. Marcella Andrade

CRM 52.95792-5

Paciente com Lúpus pode engravidar?

Durante muitos anos, pensava-se que mulheres portadoras de lúpus eritematoso sistêmico não podiam engravidar. Há mais de 20 anos, esse pensamento mudou e, atualmente, sabemos que a paciente com lúpus pode sim gestar, porém isso deve ser feito com planejamento e acompanhamento do Reumatologista assistente.

A programação da gestação é muito importante por diversos motivos. Muitas medicações utilizadas no tratamento da doença podem causar má formações fetais e aborto. Dessa forma, é necessário substituí-las quando a mulher deseja engravidar, assim como é importante que a paciente esteja em uso de alguns medicamentos que a protejam de agravar a doença durante a gestação.

O risco da gestação na paciente com lúpus é que a doença pode entrar em atividade ou agravar ao longo da gravidez. Por isso, para aumentar a segurança, é fundamental que a paciente encontre-se em remissão por algum tempo (mínimo de 6 meses a 2 anos) antes de engravidar.

Para o feto, existe o maior risco de prematuridade, baixo peso e abortamento do que em pacientes que não são portadoras da doença. Essas complicações são ainda mais prevalentes em mulheres portadoras de lúpus e síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (para saber mais acompanhe nossos posts do blog). Nesse caso, a paciente deve fazer uso de injeções de clexane durante toda a gestação para anticoagulação.

Uma situação especial que pode ocorrer durante a gestação é o desenvolvimento do lúpus neonatal. Mulheres que possuem o anticorpo anti-Ro podem transmitir pela placenta esse anticorpo ao feto, o que pode causar um dano cardiológico no feto (bloqueio cardíaco) e lesão de pele temporária ao nascer. Felizmente, essa é uma complicação muito rara e que pode ser evitada com o acompanhamento médico adequado e uso de hidroxicloroquina durante a gestação.

O acompanhamento deve ser feito em conjunto com o Reumatologista e o Obstetra que possuam experiência na doença desde o momento da descoberta da gestação, até o pós-parto e durante a lactação, uma vez que nesse momento ainda há risco de piora da doença e é necessário o manejo adequado das medicações que a mãe pode fazer uso. Além das consultas de rotina, alguns exames seriados são necessários para avaliar o bem estar materno e fetal. Apesar de ser uma gestação de risco, a maioria delas ocorrem sem intercorrências quando bem acompanhadas.

 

Dra. Marcella Andrade

CRM 52.95792-5

 

Gota: além da dor articular

A gota é uma doença inflamatória que ocorre em pacientes com os níveis de ácido úrico no sangue acima do normal (hiperuricemia), levando ao depósito de monourato de sódio nas articulações. Isso acontece por excesso na produção dessa substância ou por deficiência na sua eliminação, causando um balanço positivo do ácido úrico circulante no organismo.

O paciente mais acometido é o sexo masculino, entre 40 e 50 anos, sedentário, com sobrepeso e usuários de bebida alcoólica. Porém, também pode ocorrer em pessoas sem essas características, porém com história familiar de gota. Nas mulheres, a doença raramente ocorre antes da menopausa, mas após essa sua incidência no sexo feminino se iguala aos homens.

A gota não se caracteriza apenas pela hiperuricemia. Para o diagnóstico de gota, o paciente deve apresentar episódios de inflamação articular, ou seja, crises súbitas de dor intensa, edema e calor articular, que melhoram com o uso de antiinflamatórios, colchicina ou corticoide em dose baixa. Nem todos os pacientes que possuem hiperuricemia desenvolvem a doença.

Porém, a gota vai além da doença articular. Os sais de monourato de sódio também se depositam na pele, nos rins e nas paredes das artérias. Isso caracteriza a gota como uma doença mais “perigosa” do que parece. Os pacientes podem ter formações de cálculos de ácido úrico, perda da função renal, desenvolvimento de tofos na pele e aumento do risco de doenças cardiovasculares (infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico).

Dessa forma, o tratamento da gota visa controlar os níveis do ácido úrico no sangue, evitando os episódios de inflamação articular, mas também o desenvolvimento dessas outras complicações. O paciente não tratado corretamente passa a ter intensificação da dor articular nas crises, intervalos mais curtos entre elas, maior número de episódios inflamatórios e acomentimento de mais articulações. O médico deve estar atento ao controle dos fatores de risco cardiovasculares, utilizando medicações adequadas para a hipertensão arterial, diabetes, aumento do colesterol e a obesidade.

É possível ter qualidade de vida com gota. Procure um Reumatologista e inicie o seu tratamento. Esse texto é informativo e não substitui a consulta médica.

Marcella Andrade

CRM 5295792-5

Benefícios da atividade física na Artrite Rematoide

Pacientes com Artrite Reumatoide (AR) vivenciam diversos sintomas e situações clínicas, além da inflamação das articulações, que causam dor e deformidades, quando não tratados adequadamente. Os portadores da doença com frequência sofrem de fadiga excessiva, depressão e outras alterações psicológicas, possuem alto risco de desenvolver doença cardiovascular e infecções, além da doença também poder acometer outros órgãos, como os pulmões.

Dessa forma, o tratamento da AR não deve focar somente na dor articular, mas também em fornecer maior qualidade de vida ao paciente e tratar as condições associadas. A avaliação e o controle rígido de algumas situações clínicas, como a obesidade, a hipertensão arterial, o colesterol elevado e a resistência insulínica/diabetes, são indispensáveis, uma vez que essas aumentam o risco de complicações cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico.

Nas duas últimas décadas, os estudos sobre a atividade física na AR avançaram, tornando-a fundamental no manejo da doença. Os benefícios do exercício são inúmeros e alguns estão listados abaixo:

·        Aumento do colesterol bom (HDL);

·        Redução do colesterol ruim (colesterol total, LDL e triglicerídeos);

·        Redução da resistência insulínica / melhora do controle da diabetes;

·        Auxílio na perda de peso / controle da obesidade;

·        Redução da inflamação;

·        Melhora da atividade de doença;

·        Melhora do risco cardiovascular, ou seja, redução do risco de AVE e infarto;

·        Aumento da capacidade pulmonar;

·        Reforço da musculatura ao redor das articulações, levando à proteção articular;

·        Melhora da fadiga;

·        Melhora da imunidade, reduzindo o número de infecções;

·        Aumento da produção de endorfinas, que causam analgesia (redução da dor) e sensação de bem estar; entre outros.

E aí? Temos bons motivos para começar a praticar atividade física ou não? Lembrando que ainda há a possibilidade de ser ao ar livre, aproveitando o contato com a natureza. Porém, atenção! Algumas regras devem ser respeitadas: a liberação da prática do exercício e a definição da melhor atividade para você deve ser indicada pelo seu médico, assim como é fundamental a supervisão do exercício por um profissional capacitado. Cuide-se!

Marcella Andrade

CRM 52.95792-5

Tenho Lúpus! O que posso fazer para me ajudar?

O lúpus é uma doença crônica inflamatória autoimune que atinge principalmente mulheres afrodescentes entre 20 e 40 anos, porém pode ocorrer em qualquer pessoa. Assim como outras doenças autoimunes, a causa é desconhecida. Sabe-se que a pessoa nasce com uma predisposição genética e, após exposição a alguns fatores ambientais, deflagra os primeiros sintomas da doença. Os deflagradores conhecidos mais comuns no lúpus são a exposição solar, o estresse emocional e físico, o tabagismo, as infecções virais e os estímulos hormonais.

O lúpus infelizmente ainda não tem cura, porém existem tratamentos eficazes que visam o controle dos sintomas, prevenir novas lesões e manter a doença em remissão. Nesse contexto, a participação do paciente no seu tratamento é fundamental e quanto maior é a aceitação do diagnóstico e a parceria com o médico, maior o sucesso atingido.

As responsabilidades do paciente vão além da frequência nas consultas, realização dos exames e uso adequado das medicações prescritas. Sabemos que não são poucas as funções do paciente no manejo de uma doença crônica e que há grande dificuldade em sincronizar tudo com a rotina de trabalho/estudo e afazeres da vida comum. Dessa forma, o primeiro passo para o sucesso é a organização. Então, a primeira dica preciosa que tenho a passar é aprender a se organizar, ou seja, planeje, programa-se e tudo fluirá com mais harmonia.

Manter hábitos de vida saudáveis deveria ser prioridade a todos e mais importante ainda tem que ser aos portadores de alguma patologia crônica. A prática de atividade física no lúpus é fundamental. Eu poderia escrever páginas e páginas sobre os seus benefícios, mas aqui seguem alguns principais: perda de peso, redução da ansiedade, aumento da sensação de bem estar, melhoria da qualidade do sono, redução da dor articular e da fadiga, redução do risco cardiovascular e auxílio em manter a doença em remissão. Após a liberação médica, deixe as desculpas em casa, coloque a roupa de ginástica, procure assistência de um profissional de educação física e comece, experimente!

Associe os exercícios à alimentação saudável e recomendada para você pelo seu médico e nutricionista. Sinta o prazer de conhecer novos sabores, novas dietas e de se sentir melhor consigo mesmo ao se alimentar bem.

Tabagismo aqui está proibido! Não existe negociação: tem que ser interrompido. O cigarro é fator perpetuador de atividade de doença, além de todos os outros males que acarreta. Busque ajuda profissional após escolher cessar essa prática, porque pode não ser simples parar sozinho.

O paciente com lúpus deve sempre se proteger do sol, com o uso de protetor solar e roupas adequadas, visto que a claridade também pode desencadear atividade de doença, mesmo nos pacientes que não tenham lesões de pele. Nos dias nublados e ao ficar dentro de ambientes fechados, é importante manter esses cuidados, pois há redução dos raios solares, mas a claridade ainda existe.

Para finalizar, a última dica é buscar equilíbrio. É necessário evitar estresses emocionais. Preocupe-se com o que for realmente necessário. Em alguns momentos, a ajuda psicológica pode ser fundamental: converse com o seu médico sobre as suas angústias e tire todas as suas dúvidas. Principalmente: busque ser feliz sempre. A felicidade envolve nos sentirmos produtivos, fazermos o bem ao próximo, estarmos cercados das pessoas que amamos e que nos dão suporte, termos um hobby e enxergarmos a parte boa nos detalhes da nossa rotina.

Esses hábitos não anulam a necessidade das medicações e do atendimento médico regular. Procure seu Reumatologista e não deixe para amanhã o que pode ser mudado hoje! Sua saúde deve vir em primeiro lugar!

A Síndrome Seca no Sjögren

A Síndrome de Sjögren é uma rara doença autoimune crônica que ocorre principalmente nas mulheres entre 40 e 60 anos de idade. Essa pode ser primária, quando manifesta-se de forma isolada, ou secundária, quando está associada a outras doenças autoimunes, sendo as mais comuns o Lúpus Eritematoso Sistêmico, a Artrite Reumatoide e a Esclerose Sistêmica.

A doença caracteriza-se por inflamação principalmente das glândulas lacrimais e salivares, devido à infiltração de linfócitos, células sanguíneas que fazem parte do sistema imunológico. Porém, outros sistemas também podem ser prejudicados, como o trato genitourinário, gastrointestinal, os pulmões, os rins, as articulações, o neurológico, entre outros.

Os sintomas mais comuns são a secura dos olhos, boca e pele. A boca seca, chamada tecnicamente de xerostomia, causa queixas de dificuldade de deglutição, perda do paladar, fala arrastada e maior risco de desenvolver cáries, rachaduras dentárias, candidíase oral (“sapinho”) e queilite (inflamação dos cantos da boca). Quando apresentam olhos secos, conhecida como xeroftalmia, os pacientes podem sentir sensação de areia, vermelhidão e dor nos olhos.

Entretanto, não é somente o diagnóstico de Síndrome de Sjögren que causa esses sintomas. Muitos são os diagnósticos diferenciais, como por exemplo o uso de medicamentos psiquiátricos ou anti-hipertensivos, sendo fundamental a avaliação médica e a realização de exames complementares.

O paciente com Síndrome de Sjögren deve ser acompanhado por um Reumatologista, Oftalmologista, Dentista e Dermatologista. Em determinadas ocasiões outros especialistas também são necessários, dependendo da apresentação que a doença tem.

O tratamento envolve medidas comportamentais, uso de colírios lubrificantes e salivas artificiais, além de medicamentos sistêmicos, quando necessários. Como todas as doenças autoimunes, a Síndrome de Sjögren não possui cura, porém o tratamento pode manter a doença em remissão, aliviando os sintomas existentes e evitando o surgimento de outros.

Gostaria de saber como você pode auxiliar no seu tratamento através de pequenas mudanças na sua rotina? Fique de olho no nosso blog e redes sociais. Em breve, postaremos sobre as recomendações gerais para melhoria dos sintomas na Síndrome de Sjögren! Até mais!

Osteoporose e os alimentos ricos em cálcio

O cálcio é o principal nutriente para manter os ossos fortes e a Osteoporose é a principal consequência da sua insuficiência. Essa doença é caracterizada pela perda de massa óssea e aumento do risco de fraturas espontâneas ou por impacto leve, como uma queda ao chão. Essas ocorrem principalmente no fêmur, vértebras e membros superiores.

A doença é considerada silenciosa por não causar dor ou sintomas, porém quando há uma fratura, essa pode ocasionar perda de funções e dor incapacitante, de difícil tratamento, tendo muitas vezes indicação cirúrgica. Dessa forma, faz-se fundamental o cuidado para realizar o diagnóstico e tratamento precoces, mas principalmente a prevenção dessa patologia.

A prevenção deve ser realizada ao longo da vida com a prática de atividade física, exposição adequada ao sol e principalmente consumo de cálcio correto. A ingestão adequada de cálcio varia entre 700-1300mg por dia, de acordo com a idade e o sexo. Mulheres pós-menopausa devem ingerir de 1200-1300mg de cálcio por dia, visto que configuram um grupo de risco para o desenvolvimento da Osteoporose.  

O leite e seus derivados são os alimentos com a maior concentração de cálcio, mas esse também pode ser encontrado em menor quantidade na sardinha, feijão, brócolis e outras fontes. O ferro pode atrapalhar a absorção de cálcio, por isso a ingestão de café com leite, carne com molho branco ou leite com achocolatado não são recomendados.

Quer saber se você ingere a quantidade adequada de cálcio por dia e o quanto seria necessário ingerir? Na internet, encontramos algumas calculadoras de cálcio que podem nos auxiliar! Segue abaixo o link de uma delas, mas não se esqueça de que as orientações médicas devem ser priorizadas e sempre consultadas para que não haja prejuízos à saúde.

Link para calculadora da ingestão de cálcio:

http://www.bibliomed.com.br/calculadoras/calcio/index.cfm

 

Em casos específicos, como na intolerância ou alergia ao leite e seus derivados, a suplementação (ingestão de cálcio através de comprimidos) pode ser uma opção, lembrando que essa deve sempre ser prescrita por médico, pois o excesso de cálcio pode ser prejudicial à saúde. Procure um Reumatologista para cuidar da saúde dos seus ossos e não se esqueça: a prevenção é o melhor remédio!

A Fibromialgia e o sono

A Fibromialgia é uma condição médica que causa dor generalizada nos músculos e articulações, rigidez muscular e fadiga crônica intensa. As mulheres de meia idade são mais acometidas pela doença, porém essa pode surgir em qualquer sexo ou faixa etária. Antigamente, acreditava-se tratar de sintomas “psicológicos”, porém atualmente estudos mostraram que a doença existe de fato e acomete 2-6% da população geral.

Diversos artigos científicos comprovaram, através da polissonografia e questionários sobre a qualidade do sono, que pacientes com Fibromialgia possuem um sono de pior qualidade, menor eficiência, apresentando sono mais leve, dificuldade para começar a dormir e menos horas de sono, quando comparados a pessoas sem a doença. Da mesma forma, há evidência de que distúrbios do sono estão associados à dor e a outros sintomas comuns nos pacientes com Fibromialgia, como cefaleia, dificuldade de memória, síndrome das pernas inquietas, transtornos de depressão e ansiedade.

Portanto, para pacientes com Fibromialgia, a relação entre sono e dor torna-se um ciclo vicioso: a dor dificulta a dormir e a privação de sono piora a dor, assim como a fadiga; fazendo-se necessário buscar acompanhamento médico para auxiliar nesse circuito. Porém, algumas mudanças simples na rotina já podem ajudar na melhoria do sono. Veja abaixo algumas dicas de como alterar seus hábitos em prol de uma noite melhor:

  • Não consumir cafeína (café, mate, alguns refrigerantes) na segunda metade da tarde, por ser uma bebida estimulante e se manter na circulação sanguínea durante horas;
  • Evitar o consumo de bebida alcoólica nas horas antes de ir dormir, pois, apesar de poder aumentar a sonolência e ajudar a dormir, pode também dificultar o sono profundo e contínuo;
  • Comer alimentos leves no jantar e na ceia;
  • Aromas agradáveis auxiliam e um sono melhor e mais revigorante: o uso de lavanda no corpo ou ter velas aromatizadas pelo quarto não irão curar a insônia, porém podem fazer parte de uma rotina tranquilizante nas horas de antes de ir para a cama;
  • Ter um quarto sem poeira ou objetos que acumulem ácaros, principalmente para os pacientes portadores de rinite e asma;
  • Criar um som ambiente constante (como do ar condicionado, ventilador) ajuda a mascarar outros sons de dentro e fora de casa;
  • Evitar o uso de aparelhos eletrônicos (celular, tablet, computador) e TV nas horas antes de dormir, pois podem causar ansiedade e tirar o sono, devido às alterações de tom dos sons e à luz branca;
  • Manter o quarto escuro e com boa temperatura;
  • Fazer atividades relaxantes antes de dormir, como leitura ou escutar músicas tranquilas;
  • Evitar sonecas ao longo do dia;
  • Fazer atividade física regularmente, mas evitar nas horas antes de ir dormir.

 

Para o tratamento da Fibromialgia, é necessário o acompanhamento por Reumatologista. Procure ajuda médica para diagnóstico e tratamento adequados.

 

Dra. Marcella Andrade

CRM 52.95792-5